Está a chegar. Sente-se no ar de Anfield, denso com uma mistura de antecipação e pavor. Mohamed Salah, o Rei Egípcio, está a aproximar-se do fim do seu reinado no Liverpool. Tem 31 anos, com um contrato que termina em junho de 2025. A janela de verão de 2024 parecia a última oportunidade real para uma transferência massiva, mas aqui estamos, ainda a vê-lo arrasar na Premier League. Marcou 18 golos e assistiu para mais 10 em 30 jogos da liga na época passada, provando que ainda tem o que é preciso.
O Liverpool dar-lhe-á a despedida que ele merece. Pensem em Gerrard, pensem em Carragher. Mas isto parece diferente. Esses eram jogadores de uma vida, heróis da casa. Salah chegou em 2017 por 34 milhões de libras, um roubo relativo mesmo na altura, e transformou-se numa superestrela global. Conquistou a Liga dos Campeões em 2019, a Premier League em 2020 – títulos que este clube ansiava há décadas. Os seus 211 golos em 349 jogos falam por si. Ele é uma lenda, pura e simplesmente. Mas as lendas acabam por seguir em frente.
É o seguinte: o Liverpool não tem um sucessor claro. Pelo menos, ainda não. Gastaram muito em atacantes desde que Salah chegou, nomes como Darwin Núñez e Cody Gakpo, mas nenhum possui aquela capacidade singular e decisiva que Salah mostra consistentemente. Núñez, apesar de todo o seu brilho caótico, só conseguiu 11 golos na liga esta época. Gakpo contribuiu com 8. Bons números, claro, mas nem perto da produção de Salah.
A opinião mais ousada? O Liverpool não vai substituir Salah com um único jogador. Não conseguem. Esse tipo de produção consistente e de classe mundial vinda da ala direita é quase impossível de encontrar. Vão tentar fazê-lo em comité, uma coleção de avançados talentosos que, juntos, podem aproximar-se dos seus números. Mas o brilho individual, os momentos de magia que só Salah consegue conjurar, esses terão desaparecido. Quem mais consegue enfrentar dois defesas, cortar para dentro e rematar em arco para o canto superior com tanta regularidade? Ninguém neste plantel atual.
Então, e essa despedida? Poderia incluir outro troféu? A FA Cup parece uma possibilidade definitiva. Chegaram aos quartos de final na época passada antes de perderem para o Manchester United num jogo emocionante, 4-3 no prolongamento. Com Jürgen Klopp fora, um novo treinador, provavelmente Arne Slot, procurará causar um impacto imediato. Ganhar uma taça doméstica seria uma forma fantástica de o fazer, e Salah seria fundamental para essa investida.
A Liga dos Campeões? Isso é mais difícil. O Liverpool terminou em terceiro lugar na Premier League na época passada, 9 pontos atrás do eventual campeão Manchester City. Estarão na Liga dos Campeões, mas a competição é feroz. O Real Madrid acabou de ganhar o seu 15º título, e equipas como o City e o Bayern Munique são sempre candidatos. Salah já levantou esse troféu uma vez, em 2019, vencendo o Tottenham por 2-0 na final. Fazê-lo novamente na sua última época seria um sonho. E sejamos honestos, não está totalmente fora de questão com Salah a liderar o ataque. Ele ainda é um jogador de grandes jogos, capaz de virar qualquer partida de cabeça para baixo.
A minha previsão ousada? Salah joga mais uma época em Anfield, marca mais de 20 golos em todas as competições e levanta a FA Cup antes de partir para a Arábia Saudita no verão de 2025. Será uma despedida emocionante, mas ele partirá como uma lenda.